Ter um teto seguro é mais do que uma necessidade básica, é a base para recomeçar. Foi com esse pensamento, que a dona de casa Anne de Oliveira Lopes, 41 anos, saiu da Penha, onde mora, até o Terminal Alvorada, na Barra da Tijuca, para fazer sua inscrição no programa Minha Casa, Minha Vida, um dos serviços gratuitos que foram oferecidos pela Secretaria Municipal de Habitação (SMH) na Jornada da Mulher, ação especial em alusão ao Dia Internacional da Mulher.
O evento atendeu exclusivamente um total de 180 mulheres, na tarde do dia 9 de março. Além da moradia, a ação teve como objetivo oferecer acolhimento, orientação e oportunidades concretas para fortalecer a autonomia feminina.
“Fiquei sabendo dessa ação pelas redes sociais e não pensei duas vezes em vir para me inscrever no Minha Casa, Minha Vida. Sou mãe atípica, crio dois filhos sozinha e pago aluguel. Meu sonho é conseguir ter minha casa e uma vida melhor para minha família. Eu trouxe todos os documentos necessários e me cadastrei. Gostei muito do evento, fui muito bem atendida”, afirmou Anne, que fez a inscrição acompanhada dos dois filhos autistas.
Quem passou pelo Terminal Alvorada também encontrou orientação jurídica com foco em pensão alimentícia, divórcio e violência doméstica; atendimento social; balcão de empregos e Jovem Aprendiz; oficina de empreendedorismo; consultoria para criação de pequenos negócios e estratégias de renda complementar para fortalecer a independência financeira; além de informações sobre cursos profissionalizantes gratuitos.
A pedagoga e estudante de Educação Física, Antônia Cheila Martins, 51 anos, moradora de Guadalupe, estava passando pelo terminal quando viu os atendimentos sendo oferecidos.
“Busquei orientação jurídica relacionada ao divórcio e algumas pendências financeiras e também me cadastrei no balcão de empregos porque preciso muito de uma oportunidade para ter renda, já que vivo de bolsa de estágio. Acho muito importante para as mulheres terem acesso a esses serviços gratuitos”, disse Antônia.
A ideia de oferecer serviços na ação Jornada da Mulher parte de uma realidade preocupante: a vulnerabilidade habitacional muitas vezes está associada a situações de violência, inclusive casos de feminicídio. Sem segurança dentro de casa, muitas mulheres encontram ainda mais barreiras para romper ciclos de agressão, reconstruir a própria história e garantir proteção para si e para os filhos.
“Não existe autonomia sem segurança. E não existe segurança quando a mulher não sabe se terá onde morar no mês seguinte. A moradia digna é um instrumento de proteção, de liberdade e de reconstrução de vidas”, afirmou o secretário municipal de Habitação, Adilson Pires, que foi conferir o evento e conversou com as mulheres que buscaram atendimento.
O Centro Especializado de Atendimento à Mulher (Ceam) também marcou presença na ação, com a distribuição de material educativo sobre a violência contra mulher e informações sobre a rede de atendimento às vítimas.










